quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Sobre galinhas, ovos e outras loucuras

No final de Annie Hall, Alvy, o personagem de Woody Allen, compara uma piada com os relacionamentos em geral.

Um cara chega pra um psiquiatra e diz: Doutor, meu irmão pensa que é uma galinha. O Doutor: porque não o traz aqui para tratá-lo? O cara: porque eu preciso dos ovos.

E são assim os relacionamentos: irracionais, loucos, absurdos, muitas vezes incompreensíveis, mas seguimos neles, sempre tentando fazer diferente. Porque, afinal, precisamos dos ovos.

Yeah, babe, we need the eggs...

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Bumbumbaticundumprucurundum

Eu tento passar indiferente ao carnaval. Deixa o bloco passar, as escolas desfilarem. Bobeira essa coisa de hiato na vida diária, no sofrimento do povo, pra tudo se acabar na quarta-feira. Mas o carnaval é mesmo um idílio e é difícil a indiferença. Todas as pessoas nas ruas com algum apetrecho carnavalesco não é coisa que passe despercebida. Uma peruca na cabeça, um óculos colorido, um colar e o mundo não é mais o mesmo. Você pode dizer que é uma alegria fake, mas não acho que seja. É um atributo do brasileiro essa capacidade de pairar acima da realidade por esse curto espaço de tempo. Se é bom ou ruim, não importa. Importa é que funciona.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

20 anos blue

“ontem de manhã quando acordei

olhei o mundo e me espantei

eu tenho mais de vinte anos”


Passa tão depressa a vida. Quando me dou conta de que hoje a adulta sou eu, me vem uma estranha sensação de tempo perdido. Muito do futuro que eu tinha em mente anos atrás, sobre o que é hoje o meu presente, é diferente. Não que eu tenha essa paranóia de planejar tudo, pelo contrário. Mas a gente sempre faz algumas projeções. E o mais engraçado é que não sinto que tenha mudado a forma de pensar sobre coisas estruturais da vida. Mudei muito pouco em relação às grandes questões (embora eu não saiba o que isso quer dizer exatamente). O que muda de fato é não poder mais colocar nada na conta da mítica irresponsabilidade juvenil...


*música de Sueli Costa e Victor Martins, na voz de Elis

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Não por acaso

A previsibilidade da vida. O controle dos sentimentos. Sob essas ilusões vivem os personagens Pedro e Ênio. Implacável, o destino não cabe em previsões. Aprender a lidar com o próprio descontrole. Descontrole da dor e do afeto. É essa a temática de Não por acaso, longa de estréia de Philippe Barcinski. O roteiro do filme é bem amarrado e tem o texto muito bom.

O que também vale a pena é a carreira do Barcinski em curtas. O melhor curta que já assisti é dele, A escada. Um filme simples, curtíssimo e que infelizmente não achei disponível na internet. Palíndromo é também muito bom. Todo de trás pra frente. Ou de frente pra trás, vai saber. E tem o Janela Aberta, uma paranóia que tenho certeza todo mundo tem vez ou outra.

E pra não perder o bonde, vale dar uma pesquisada no Porta Curtas. Tem uns curtas bem legais por lá.

terça-feira, dezembro 25, 2007

Natal de quê?

Entre o cinismo do não gostar do Natal e o politicamente correto de se entusiasmar com a data, fico eu. Porque pra mim não há nada de tão fantástico no Natal que me faça entusiasmar, pró ou contra.
O propósito é interessante: comemorar o aniversário de um revolucionário. Um cara que teve coragem de pregar a igualdade entre os homens num mundo (até hoje) concebido na exploração de uns por outros. E isso independe da real existência da figura. A idéia basta.
A forma é promíscua: consumismo avassalador e destrinchamento de aves que não têm nada com a história. Além do endeusamento de um velho de hábitos estranhos.
Na prática, para mim, acaba sendo uma reunião em família, como tantas outras.

segunda-feira, novembro 19, 2007

essa vida... putz grila.

Oi Nika!
A vida é foda. Passa tão loucamente e são tantas picuinhas menores que nos aporrinham todo o tempo que acabamos deixando coisas que realmente valem pra trás. O que na verdade é muito por nossa culpa. Um pouco por preguiça, outro tanto por desleixo... E aí ficamos sem nos falar todo esse tempo. Absurdo dos absurdos. Na verdade eu morro de saudades e você também, eu bem sei.
Por aqui a vida corre na mesma toada. Nenhuma grande novidade, além da sobrevivência diária aos tantos percalços que se apresentam prontos pra nos deixar imóveis. E isso já é tanta coisa. Na verdade é isso a vida. Todo o resto são planos na abstração que é o futuro. O que vale mesmo é essa labuta do tempo presente. E tenho lutado, chorando pelos poros (salvo, é claro, nos dias de chuva). E sou mais adulta hoje. Desde que me falta a terceira perna que me sustentava num tripé, sem cair mas também sem seguir em frente, como em A paixão segundo GH de Clarice.
Na contra-mão de tudo isso, o que quero de você não é saber do dia a dia. Isso é tão inevitável e corre tão independente de nossa interferência. Quero nossa conversa impalpável. Quero toda a nossa filosofia Quero nossas revoluções de mesa de bar.
Estou aqui. A mesma. Com uma saudade que não tem tamanho.
Te amo.
tici

segunda-feira, outubro 22, 2007

Mídia alternativa

Por um bom tempo eu andei alheia ao que se noticiava no Brasil, por vontade própria. Os meios tradicionais de comunicação, que sempre olhei desconfiada, começaram a me enojar de tal forma, mais outras mudanças me `oferecidas´ pela vida... Enfim, promovi o afastamento. Mas sempre fui atenta ao mundo, informada, informante. Essa posição alheia não era minha, por definição de personalidade.
Até que descobri o mundo blogueiro, do qual já faço parte há tempos, mas sempre numa outra vertente. Descobri a mídia alternativa. Nesse meio, não se camufla opinião na forma de fato. É mesmo uma troca de opiniões diversas, aberta, às claras. Cara a cara. É desvendada a manipulação da mídia corporativa todo o tempo. É permitido o contraditório.
Não é possível ler O Globo e assistir ao Jornal Nacional e achar que o mundo se resume a isso. Os que se auto proclamam “formadores de opinião” tem que começar a questionar os meios de que se utilizam para se informar sobre o mundo. A imprensa é hoje o maior poder político, não só no Brasil, mas em quase todos os países, principalmente os de democracia instável, como o Brasil.
A notícia tratada como produto, direcionada aos que vão consumir o que é anunciado nas propagandas, tem o objetivo de massificar a informação, eliminando a análise ampla e mantendo o status quo que viabiliza seus lucros e seu poder.

quarta-feira, agosto 29, 2007

eu sem tu sem eu

é feito dia que o sol não vem
nem desce a chuva redentora
fica aquele negrume impedindo o anil
e a noite vem sem estrelas
logo elas, que tenho ouvidos pra ouvir

quinta-feira, agosto 16, 2007

Farewell

Em 17 de agosto de 2007, 20 anos sem Drummond.

Meu verso é minha consolação.
Meu verso é minha cachaça. Todo mundo tem sua cachaça.
Drummond

Talvez mais do que nos poemas em si, a poesia seja boa mesmo inundando a vida. E não sei o que seria desse mundo vasto mundo sem Drummond. O que seriam das pedras no caminho, das bruxas soltas nas zonas de luz, do josés, das Itabiras, dos amores que não tenho e desse anjo torto aqui na sombra.
Teu verso é minha cachaça.

segunda-feira, agosto 13, 2007

Planejamento familiar

Na escola onde minha irmã trabalha, uma menina de 12 anos está grávida. 12 anos! Está na terceira série. É provável que mal saiba ler (com esse sistema de aprovação automática, que até funcionaria se tivesse implantado em sua totalidade, com as salas de recurso auxiliando os alunos com maior dificuldade). A mãe de uma outra aluna de 9 anos está grávida do sétimo filho. Isso aos 24 anos. Imagina se essas duas mantêm o ritmo? Aos 40 anos terão quase 30 filhos. Sem contar os netos e, quiçá, bisnetos.
O futuro deles não é difícil prever.
Não adianta a informação sobre como prevenir a gravidez, o acesso aos anticoncepcionais e tudo mais. É importante a consciência sobre o porquê se prevenir. Ou vence a lógica do ‘onde come um, come dois’; a lógica da mãe profissional, com seus filhinhos espalhados pelo sinal esmolando a féria do dia.
É até delicado pensar num controle de natalidade mais rígido. Mas é fundamental pensar em pelo menos algum controle. Ou vai ser difícil andar pra frente.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Dear daddy

O notebook é o melhor presente desde a caquicleta, a bicicleta que nasceu num pé de caqui, no meu aniversário de nove anos.

domingo, agosto 05, 2007

A vida é doce

Me desculpe a poeira nos móveis,
a falta do pó de café.
Desculpe a ironia excessiva na voz,
o desperdício dos gestos tão bruscos.

Toda a inutilidade em cada palavra.

Desculpe a desordem do corpo,
o cansaço.
A vida sem novidade e toda essa falta de riso.
Desculpe o momento abatido,
a falta de pudor na cara de choro,
o olhar perdido estendido demais.

Me desculpe o que incomoda
e o que não tem razão de ser.

sexta-feira, agosto 03, 2007

Curtas

Prozac
Às vezes penso, que seria do mundo moderno sem os inibidores seletivos da recaptação de serotonina. Bom, do mundo inteiro fica bem complicado dizer, mas da minha vidinha... ô...

Coisas que enchem o saco
Cidadão revoltado em fila de banco.

Você, ainda hoje
Paixão é um estado afetivo agudo, absorvente, dominante e tiranizante. A paixão polariza a vida psíquica do indivíduo na direção de um objeto único, o qual passa a monopolizar os sentimentos e as ações em detrimento de tudo o mais. E eu adoro.

quinta-feira, agosto 02, 2007

sob medida

Eu e minha torta idéia de justiça.
Rompendo com o mundo
desbravando novos cantos
onde tudo é permitido.

Meu vasto mundo de desordem
solto em meio a uma constelação qualquer.

Minha vida, meu canteiro.
Pronto pra mim.
Pra quem quer que não tenha medo,
não meça palavras
e não deixe de sair em dias de chuva.

terça-feira, julho 31, 2007

Que assim seja

Que a vida me tome com uma avassaladora onda de prazer,
que me tire dos eixos,
me vire do avesso, sacuda, destrua.
Que se insinue pra mim despida, desnuda
de roupa, de tédio, de idéias ou ideais.
Que me venha crua, mas pronta.
Que me deixe tonta.

Só quero isso e nada mais.

sexta-feira, julho 27, 2007

“Se você tem uma idéia incrível, é melhor fazer uma canção...”*

A vontade humana é interminável. Um desejo realizado leva a uma satisfação momentânea e logo depois ao tédio. E então vem outro desejo e mais outro e chega a dor da não realização. Até que se realizam. E vem a satisfação momentânea e logo o tédio. Então desejamos mais. E mais. E vem a dor da não realização. E a vida é uma eterna busca. Uma corrida desenfreada, enlouquecida e interminável. Estamos sempre atrás. Sempre ao menos um passo atrás do que queremos. E é isso que nos move. O desejo. A força do sonho.

Pra que não reste nenhuma dúvida:
“Gosto dos que tem fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem”
(Calcanhoto – Senhas)

*Caetano – Língua

terça-feira, novembro 21, 2006

Escuro

A noite leva o dia. Traz a escuridão, onde os olhos não são vistos e enxergam mais. Onde o silêncio é mais mudo e os ouvidos escutam mais. Onde se está só na companhia dos que dormem. E à noite, no escuro, não se existe pra fora do corpo. Nada existe fora do corpo. É todo o mundo interior que se revela.
E o escuro nos redime. Nos faz recíproca a paixão. Traz as soluções mais milagrosas. No escuro se revive o dia. Tira fora o imperfeito, ajeita um pouco o que se disse e nos saímos bem melhor.
E o escuro nos destrata. Nos mostra, impiedoso, a pior parte de nós. Cria problemas insolúveis. Traz à tona os piores sentimentos. Nos prende em insensatos pensamentos.
É assim a noite: sossega o dia, mas também traz seus demônios.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Trechos

“Para percorrer os dias, as naturezas um pouco nervosas, como era a minha, dispõem, como os automóveis, de “velocidades” diferentes. Há dias montuosos e difíceis, que se leva um tempo infinito a subir, e dias em declive, que se deixam descer num ímpeto, cantando.”
(Proust em No caminho de Swan)

Diz o Millôr que uma boa duma nebulização acabaria de vez com essa angústia proustiana. Que o mal do cara era essa saúde frágil demais. (Ironia típica do Millôr, óbvio. Ele mesmo leu Proust exaustivamente. Ou melhor, exaustivamente não, porque Proust não cansa, segundo ele). Frank, personagem de Steve Carell em Pequena miss sunshine (filme imperdível, aliás), especialista em Proust, diz que o escritor abençoava todo o período em que foi triste triste, porque foram esses anos que o tornaram o que é.
E é mesmo assim. A gente cresce, se constrói nessas horas em que a vida é uma longa e desgastante subida. O resto é levantar a mão pro alto e sentir o vento.

segunda-feira, novembro 06, 2006

Espelho, espelho meu

O cabelo ficou ótimo depois do banho de queratina. Também com a grana que custou. Sorriso perfeito. Sempre foi meu ponto forte. Assim, saio bem na foto. Meio de perfil pro lado esquerdo. Levanta um pouco a cabeça pra diminuir o gogó. Não tem jeito, depois de certa idade, aparece esse gogó. Todo o resto ainda dá pra retardar com ginástica e tal. Mas o gogó... e olha que não descuido do pescoço. Ou ele se vinga, como diz vovó. Na certa, o dela se vingou. O erro também traz sabedoria. Não, mão apoiada no queixo não. Passa dos 40 e toda mulher tira foto com o queixo apoiado na mão. Truque batido. Ai, essa olheira é um problema. E olha que ainda dormi bem depois do lexotan. Também, enrolei e não fiz a máscara de pepino. Essa luz também não ajuda. O vestido caiu mesmo bem. Não fugi do preto. Não arrisquei. Garantido. Disfarçou o culote que é uma beleza. E essa barriguinha... se não ficar de perfil, nem aparece. Será que não é o espelho que engana? Acho que não... a dieta de proteína na última semana funcionou. To bem que é uma beleza.

Respira fundo. Abre a porta de volta ao salão.

quinta-feira, setembro 21, 2006

A maldição das 6 coisas

A Tata, do Ação e divagação, recebeu do WW do Megazona e me passou essa. E eu cumpro, claro.
6 coisas sobre mim. (Poderia dizer umas 1000, mas aí acho que ninguém agüentaria ler...).

1- Já comi, literalmente, a conta de um bar porque não queria que ele fechasse tão cedo. Isso depois de trocentos chopes, lá pelas 6 da manhã.
2- Já fiquei em coma, já fiz traqueostomia, já quase morri, mas estou aqui, vivinha. O que me faz sentir meio imune a todos os males.
3- Já larguei uma faculdade faltando 2 semestres pra acabar, pra desespero de papai e mamãe.
4- Já voei de asa delta. Lá da Pedra da Gávea, voando até a praia do pepino. E digo que ninguém pode deixar de fazer isso, porque é bom demais.
5- Já fiz xixi na praia de Copacabana em pleno reveillon, pra um público de umas 2 milhões de pessoas. E mais de uma vez.
6- Já me perdi na minha própria cidade várias vezes, por ser distraída e desprovida de senso de direção, em último grau. Sendo que em uma das vezes, pedi informação com sotaque paulista, pra fingir que não era local.

Bom, to voltando agora pro blogue, então deixo pras outras pessoas a missão de ‘amaldiçoar’ mais alguém, ok?